A relação entre jogos violentos e o comportamento

                         

SAÚDE TOTAL

Conversas psicanalíticas com o Dr. Eduardo Baunilha

A relação entre os  jogos violentos e o comportamento



Crianças, adolescentes, jovens e porque não adultos são levados a deixarem-se seduzir pelos jogos eletrônicos.

Com o advento da pandemia a prática se intensificou, por conta do isolamento. Sozinhos em casa, sem muita distração, os jogos tornaram-se um entretenimento bem apreciado.
Mas uma pergunta que emerge a partir daí é: os jogos eletrônicos podem ajudar a potencializar a violência entre as pessoas, principalmente em crianças e adolescentes?

Segundo Christopher Fergunson, num estudo realizado para o Journal of Youth and Adolescence, há pouquíssima probabilidade de haver uma relação entre a mudança de comportamento das crianças e adolescentes e os jogos eletrônicos.
Mas será real esta constatação uma vez que o que presenciamos diariamente é um terrível aumento da violência por parte das crianças e adolescentes?
Sabemos que uma criança ou um adolescente que fica muito tempo exposto a uma situação, tende rapidamente a se moldar aquela vivência. Lembra do neurônio espelho? Pois é, ele existe para que as contemplações sejam repetidas.

Ao estarmos expostos a alguma ação realizada por outrem, nossa mente, automaticamente ensaia aquela atitude e entende como se fôssemos nós mesmos que a estivéssemos realizando. Evidentemente que diante disso, a repetição torna-se o segundo passo.
Então se as crianças e adolescente e claro, jovens e adultos, que apreciam esta forma de diversão estiverem constantemente diante delas, certamente vivenciarão por meio da repetição, no seu dia a dia, as ações executadas pelos personagens dos jogos.

Tal dito mostra que a pesquisa do Journal of Youth and Adolescence é pelo menos polêmica e questionável.

Cristiano Nabuco afirma que metanálises apontam “para o aumento da violência e dos comportamentos antissociais em função da maior exposição a conteúdos violentos (ABREU, 2016, p. 85)”.

Acredito que das maneira como caminha a humanidade não dá para pagar para ver. É necessário uma vigilância e como a gente fala na psicanálise, estarmos sempre questionando o que colocamos diante de nossos olhos e, principalmente, o que deixamos diante dos olhos de nossas crianças e adolescentes.

Um abraço fortíssimo em você!



REFERÊNCIA:

ABREU, Cristiano Nabuco. Psicologia do cotidiano. Porto Alegre: Artmed, 2016.

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