Uma porta para a Mente Una

 SAÚDE MENTAL


Conversas psicanalíticas com o Dr. Eduardo Baunilha


Foto de arquivo pessoal



Uma porta para a Mente Una

Há 300 a.C., Mêncio, um filósofo chinês, deixou escrito que “não há senão dois caminhos: o amor e a falta de amor”.

Para Larry Dossey, o “amor é a porta para a Mente Una porque equilibra as forças do isolamento, da separação e da individualidade”.

E o amor nos faz lembrar de estudos realizados por Robert G. Jahn, ex-diretor de engenharia da Universidade de Princeton. Estes estudos mostraram que pessoas afetivamente próximas podem trocar informações mentalmente mesmo quando separadas por distâncias continentais ou globais.

Tal constatação é pertinente, pois nos faz ponderar a respeito da importância do amor, que transcende a individualidade e que nos ajuda a superar a solidão e o isolamento, tão presentes nestes tempos pandêmicos.

Todavia, devido ao isolamento sugerido, entrou em cena um dispositivo que, forçosamente nos conectou às pessoas: o celular.

Não dá para demonizar este aparelho que é e sempre será bem necessário, mas não podemos também, negar os males oriundos de seu uso indiscriminado motivado pelo conceito de estar próximo do outro.

Estudos demonstram que o uso do celular, para fins de sociabilização, tem diminuído o desejo de conexão social com outras pessoas.

Um estudo realizado na Universidade de Maryland, com diversos usuários de celulares, constatou que depois de um breve período de uso deste aparelho diminuiu a vontade dos usuários de oferecer-se como voluntários em trabalho comunitário.

Segundo os estudiosos “o celular evoca diretamente sentimentos de conectividade com outras pessoas, preenchendo por meio disso a necessidade básica humana de pertencimento e aceitação”. Isso não seria problema, se não reduzisse o desejo de se conectar efetivamente no nível social e de se empenhar em atividades pró-sociais e em comportamentos empáticos.

Outra pesquisa muito interessante de ser citada é a de Neal Grossman, ex-professor da Universidade de Illinois, que passou décadas analisando comportamento de pessoas em experiência quase morte. O pesquisador chegou a conclusão, diante do relato dos pacientes, de que existem uma mensagem oculta em toda a pesquisa: a mensagem do amor universal. Ele deixou escrito que todos os que passaram por tal experiência se convenceram de que o propósito da vida é crescermos em nossa capacidade de receber e dar amor.

William Osler é considerado como o pai da medicina ocidental. Certo dia, vestiu sua beca para ir a uma formatura. Antes, porém, passou na casa de um amigo, cujo filho pequeno estava acometido com coqueluche. Osler tinha um jeito especial de lidar com crianças, gostava delas, por isso, elas sentiam bem com sua presença. Pegou um pêssego, polvilhou de açúcar e deu ao pequeno moribundo. Mesmo tendo ciência de que a recuperação do garoto era improvável, Osler voltou para visita-lo cada um dos 40 dias seguidos, sempre vestido da beca que impressionou o garoto e, todos os dias o alimentava. Em apenas alguns dias depois, o menino se recuperou.

Osler estava pessoalmente com o enfermo, todavia, segundo Larry Dossey, as pessoas sentem o que estamos transmitindo para elas mesmo quando estamos à distância.

Isso nos faz pensar que todos os tipos de sistemas físicos estão em ressonância simpática uns com os outros e com o ambiente. Simpatia vem de uma raiz grega que significa “sentimento conjunto” ou “comunhão de sentimentos”. Diante disso, pergunto: Seria o universo um lugar onde o sentimento de amor e sensibilidade ecoam unindo a todos?

Um grande abraço para vocês.

 

Referências:

DOSSEY, Larry. A conexão da consciência. Trad. Marta Rosas. São Paulo: Cultrix, 2018.


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