Perdas

 SAÚDE MENTAL


Conversas psicanalíticas com o Dr. Eduardo Baunilha


Foto de arquivo pessoal


Perdas

As perdas fazem parte de nossas vidas desde o nascimento. A psicanalista Judith Viorst diz que “as perdas são o preço que pagamos por viver”. Todavia viver em um mundo invadido por um vírus letal, fez-nos atentar para o fato de que a vulnerabilidade e a finitude da existência estão mais presentes conosco do que ora imaginamos.

Não é fácil conviver com a saudade daqueles que nos deixaram. As lembranças dos momentos vividos não se esvaem como uma brisa e, percebemos que estas pessoas ficarão conosco todo o tempo, pois a memória é um recurso muito poderoso.

Mas não são só perdas humanas pela morte que nos afetam. A perda de um emprego, de um imóvel, de uma amizade ou mesmo de um objeto que fora muito desejado pode levar-nos a um abismo de dor inenarrável. O valor de um bem está atrelado ao valor que demos àqueles que nos ofertaram, por isso a tristeza pela perda.

Porém, o que fazer quando o peito aperta? Quando a angústia e a dor se fazem presente com tanta força que nos move ao choro e muitas vezes ao pranto?

É importante perguntarmos o porquê das comoção e do volume de dor que está sendo vivenciado. Reviver o que aconteceu tentando encontrar caminhos possíveis para que o afeto não nos leve para um estado depressivo mesmo que seja leve.

Durante a trajetória da vida as perdas estarão sempre na ordem do dia. Perdemos pessoas, coisas, lugares, amigos, vitalidade, força, e tantas outras coisas que somente em pensar ficamos imaginando como viver sem. Todavia, vamos perdendo e sobrevivendo, alcançando outras, perdendo e conseguindo, perdendo e crescendo, perdendo e vivendo.

A questão primordial é transformar estas perdas em experiências que nos moldem e nos levem ao crescimento. Ser pessoas melhores diariamente deve ser um dos nossos mais almejados objetivos, e isso inclui construir conceitos diante das perdas que, muitas vezes são necessárias para transpormos novas fases da vida.

Tal ideia nos leva a pensar na nossa vida infante. Precisamos crescer para tornarmos adolescentes e depois adultos. Perdemos quantas coisas nestes processos? Se pensarmos bem, nem todas foram negativas. É assim no reino da vida. Tem que ser assim num mundo hostil. Mas conseguimos. Estamos vivos e continuamos lutando. Esta é a boa notícia.

Um grande abraço para vocês. Até a próxima semana.


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