A INCRÍVEL MAGIA DOS HIDRATANTES

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A INCRÍVEL MAGIA DOS HIDRATANTES


Foto de arquivo pessoal
A mudança de hábitos é bastante frequente e até desejada para que uma pessoa realmente exista e não passe os dias meramente contabilizando os exaustivos segundos da rotina. Com o tempo, é natural que os nossos gostos se modifiquem, que tenhamos menos necessidade do externo e procuremos contatos mais duradouros. 

Ontem, por exemplo, plena noite de sexta-feira, inventei uma série de desculpas apenas para não ter que sair de casa, encontrar amigos, ver o semblante triste e anêmico da humanidade nas esquinas e nos bares noturnos. Logo eu que sempre fui amante das ruas, dos encontros, dos sorrisos com os amigos, das mãos que se entrelaçam próximas à hora do beijo já não tenho mais essa ânsia fullgás de arrumar-me e sair do meu casulo. 

Minto! A verdade é que não tenho ânsia de sair da minha residência, mas descobri que adoro arrumar-me para ficar quieto e confortável no aconchego da minha intimidade. Essa revelação, acreditem, veio da incrível magia dos hidratantes. 

Cremes hidratantes são utilizados desde a Antiguidade por vários povos. Com o tempo, as formulações tornaram-se diversas, as paletas de fragrâncias cresceram avassaladoramente e multiplicaram-se ao infinito as possibilidades de combinações. Pertencentes à poderosa indústria dos cosméticos e da moda, sua inserção nas prateleiras de supermercados, lojas e drogarias movimentam bilhões de dólares todos os anos. 

Emolientes exigem sempre as palmas das mãos, a sensibilidade no toque e a tranquilidade de um organismo que precisa relaxar para cuidar eficientemente da pele. Mais que um instante de hidratação, trata-se de um verdadeiro e sofisticado ritual de amor próprio, conservação, autoestima e de compreender que o tempo pode ser leve e agradável. Por isso, um filme romântico, instrumentais de jazz e bossa nova, luzes amenas, velas aromatizadas e sons da natureza completam o êxtase do momento. 

Ademais, não podemos esquecer que os hidratantes auxiliam nas massagens corporais e umidificam o contato com quem amamos. 

Pensemos num casal qualquer que trabalha oito horas diárias, gasta vários minutos do dia no terrível trânsito das metrópoles e que são bombardeados pelas ansiedades e estresses laborais. Ao chegar em casa, a esposa, queixando-se de dores lombares, corre logo para o chuveiro, toma uma boa ducha e se estira no colchão. O marido, então, após o banho, dirige-se ao quarto e encontra a sua amada deitada e resignada àquela condição de guerreira abatida. Nesse instante, abre a porta do guarda-roupa, retira o frasco de hidratante do armário, despeja o produto viscoso de rosas francesas e amêndoas nas mãos e toca, devagarinho, as costas da sua mulher que sente um frio gostoso e um arrepio de amor na coluna vertebral. 

Esse casal está completamente revigorado e pronto para prosseguir refinando o seu contato. Provavelmente, num lindo salão de festas, ao lado dos filhos e sobrinhos, comemorarão bodas de ouro e serão exemplos para os mais jovens. 

Todavia, não é preciso ter alguém para experimentar a alquimia dos cremes. O amor próprio é tão bendito quanto o amor que sentimos por outra pessoa. Aliás, creio eu, só é possível amar alguém quando você aprende quem é o maior e mais importante amor da sua vida. Essa foi a melhor descoberta de um jovem escritor que agora passa as suas noites de sexta-feira ao lado de um pote Malbec Club assistindo “ABC do Amor”. 

Instagram: @italoswyatt

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