SAÚDE MENTAL


Conversas psicanalíticas com o Dr. Eduardo Baunilha


Foto de arquivo pessoal



O segundo cérebro

Conhecido como o segundo cérebro, nosso intestino tem nutrientes e bactérias que podem proteger e curar esse órgão.

Segundo pesquisas realizadas por David Perlmutter e Kristin Loberg, nos últimos 20 anos, as mortes por demência têm aumentado muito nos 10 países mais ricos do ocidente.

A esclerose múltipla, uma doença autoimune e incapacitante, já atingiu a marca cerca de 2,5 milhões de pessoas ao redor do mundo, isso sem falar no autismo, que se multiplicou por 7 ou 8 nos últimos 15 anos. Perlmutter e Loberg nos apresentam este quadro para dizer que existe algo que pode ser feito.

Todas as doenças elencadas acima e outras mais relacionadas com o nosso cérebro, dependem daquilo que ocorre no intestino. O sistema digestivo está intimamente conectado àquilo que acontece no cérebro, por isso é de suprema importância sabermos o que ocorre nesse lugar, pois assim podemos cuidar melhor dele, para que nosso bem-estar mental seja mantido ou reestabelecido.

É interessante saber que Hipócrates, o médico grego e pai da medicina moderna, foi o primeiro a cunhar que todas as doenças começam no intestino. Também o comerciante e cientista Antonie van Leeuwnhoek observou a própria placa bacteriana e divisou um mundo oculto. Élie Mechnikov, ganhador do prêmio Nobel e biólogo de origem russa, descobriu que há um vínculo direto entre a longevidade do homem e um equilíbrio saudável das bactérias do organismo. Para Mechnikov, a “morte começa no cólon”.

Segundo Perlmutter, nosso corpo, por dentro e por fora, é colonizado por cerca de 100 trilhões de micróbios. Até agora os cientistas conseguiram identificar apenas 10 mil deles. E o que é mais fantástico é que cada um desses micróbios tem seu próprio DNA, representando mais de 8 milhões de genes. Isso significa que para cada gene humano em seu corpo existem pelo menos 360 genes microbianos, e a maioria desses organismos vive em seu trato digestivo.

Sendo assim, entendemos que nossos órgãos intestinais tomam grande parte de nossas ações fisiológicas, entre elas o funcionamento do sistema imunológico, a inflamação, a desintoxicação, a produção de neurotransmissores e de vitaminas, a absorção de nutrientes, a sensação de fome ou saciedade e o aproveitamento de carboidratos e gorduras.

Também, pesquisas recentes têm apontado para o fato de que o sistema nervoso central é um dos mais sensíveis a mudanças de nossas bactérias intestinais, mostrando a importância de se cuidar de forma altruísta do nosso intestino.

Segundo Perlmutter e Loberg “na verdade, a flora intestinal tem tudo a ver com os processos inflamatórios e com a capacidade de combater, ou não, os radicais livres. Em outras palavras, o estado do seu microbioma determina se seu corpo está insuflando as chamas dos processos inflamatórios ou combatendo-as”.

Atualmente a neurociência tem se curvado em estudar com afinco os processos inflamatórios crônicos e os danos causados pelos radicais livres, mas nenhuma abordagem farmacêutica tem sido tão efetiva quanto o aprendizado de uma dieta que permita administrar bem as bactérias que povoam seu intestino.

A respeito dessas dietas falaremos no próximo artigo. Um grande abraço. Até a próxima semana.

 

Referência:

PERLMUTTER, David e LOBERG, Kristin. Amigos da mente. Trad. André Fontenelle. São Paulo: Paralela, 2015.


2 Comentários

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  1. Amei Eduardo, obrigada por essa rica contribuição, parabéns e continue com os artigos, abraço,

    Viviane

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    Respostas
    1. Obrigado Viviane, a intenção é esta, levar a informação que a gente vai cunhando por achá-la bem interessante. Não dá para ficar só pra gente, né?

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