SAÚDE MENTAL


Conversas psicanalíticas com o Dr. Eduardo Baunilha


Foto de arquivo pessoal



A quarta ferida emocional: a traição (continuação)

Entendemos até aqui que a pessoa acometida da ferida da traição torna-se controladora. Tal característica não é muito saudável, pois o controlador, por ter a mente extremamente ativa, é levado a criar expectativas futuras bem descoladas da realidade.

Acontece que o aqui e o agora ficam a desejar. Por exemplo: quando estão trabalhando pensam em como serão as férias, mas quando estão de férias pensam em como será o retorno à labuta. O momento presente não é vivido de maneira plena como deveria.

Também o controlador faz quase tudo sozinho. Quando solicita a ajuda de outra pessoa, fica vigiando a tarefa sendo realizada, meio desconfiada. Quando está próxima a uma pessoa relapsa a ferida vem à tona no mesmo instante, pois tem dificuldades em aceitar o ócio e/ou o trabalho sendo feito de maneira não muito responsável.

Tem dificuldade em confiar nos outros, mas ao mesmo tempo deseja a confiança de todos. Dispende tempo em relatar o que fez, como fez e quais os resultados obtidos para que os outros, por meio de seus modos responsáveis, possam criar laços de confiança com ela.

Costumam se encarregar de tudo, de dar conta de tudo, por se julga mais forte do que os que estão ao seu redor. Acredita que os outros são mais fracos que ele, mas esta constatação é uma maneira disfarçada de exibir a própria força.

Os que têm a ferida da traição experimentam grande desconforto diante de pessoas autoritárias, pois não querem ser controladas. Comumente se justificam para que as coisas saiam a sua maneira e têm muita dificuldade de assumir medos e contar de suas fraquezas. Neste caso, mostrar vulnerabilidade torna-se um empecilho para seu ego que quer sempre ser visto com reconhecimento.

Segundo Lise Bourbeau “quando alguém tenta convencer o controlador de uma ideia nova, ele em geral se mostra cético. O mais difícil para ele é ser pego de surpresa, não ter tempo de se preparar. Despreparado, ele corre o risco de não deter o controle e, por conseguinte, ser controlado”.

Não gostam de conviver com pessoas hipócritas, mas esquecem que seu comportamento manipulador é igualmente hipócrita. Tem horror que as pessoas mintam para ele, mas usa de pequenas mentiras, muitas vezes bastante sutis, para alcançar seu objetivo.

Com efeito, as pessoas acometidas pela ferida da traição e que consequentemente se tornam controladoras, têm muita dificuldade em lidar com questões que coloquem sua reputação em voga. Veem isso como grave traição. Por causa disso, só revela para os outros o que é bom, pois isso salva a reputação que querem sublevar.

Não gostam de estar em situações em que ficam sem respostas. Por isso, gostam muito de buscar conhecimento sobre muitos assuntos. Quando questionadas têm dificuldade de dizer “não sei” e, para tanto, até preferem falar uma tolice.

Buscar tomar uma decisão pode ser muito doloroso para o controlador, pois acredita que podem perder alguma coisa ou ter medo de não controlar o que desejam escolher.

No âmbito sexual, o ferido pela traição quando não tem a aceitação do parceiro, quando deseja fazer amor, sente-se traído. Muitas vezes isso acontece por causa do Complexo de Édipo não resolvido, o que pode resultar também em um apego excessivo ao seu genitor do sexo oposto.

Quanto ao apego ao seu genitor, pode resultar numa busca por um parceiro que se identifique com ele, o que pode causar muitos problemas quando não encontrar alguém com características parecidas ou quando o que encontrou se diferir muito.

E para terminar, vou elencar algumas doenças que podem acometer àqueles que possuem esta ferida: agorafobia, problemas nas articulações, problemas no sistema digestivo, herpes bucal e doenças de natureza inflamatória.

Um grande abraço. Até a próxima semana.

 

Referência:

BOURBEAU, Lise. As cinco feridas emocionais Trad. André Telles. Rio de Janeiro: Sextante, 2020.


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