SAÚDE MENTAL


Conversas psicanalíticas com o Dr. Eduardo Baunilha


Foto de arquivo pessoal




A culpa é da testosterona

Você já observou crianças brincando em um parque? Uma psicóloga pesquisadora chamada Janet Lever passou um ano observando crianças em um playground de uma escola. Ela teve constatações muito interessantes: os meninos se envolviam em brincadeiras mais violentas ou até brigavam com facilidade com outros meninos, mas em pouco tempo estavam conversando e se divertindo novamente.

Todavia com as meninas a situação era bem distinta. As meninas não utilizavam da força física para demonstrarem violência, mas ao se desentenderem criavam ressentimentos e as palavras que usavam para se defender eram mais dolorosas que os socos que os meninos desferiam um no outro.

Sabemos que essas diferenças não são mero produto da cultura dominante. Temos um hormônio chamado dopamina que é chamado de hormônio da recompensa. Todas às vezes que os meninos agem com agressividade eles ganham o prestígio dos outros colegas, diferentemente das meninas que, ao agirem de forma verbalmente violenta ou até fisicamente apesar de numa proporção bem menor, têm uma tendência maior em absorver a culpa por ter agido assim.

A questão é que não dá para reprimir o ímpeto agressivo dos homens, mas sublimá-lo em outros conceitos. Conta-se a história de um funcionário que resolveu ajudar os comerciantes da cidade de Illinois, Estados Unidos, que viviam sendo aterrorizado por gangues por negarem a dar o dinheiro que os vândalos pediam. Um dos comerciantes incitou este funcionário a lutar com o líder da gangue e foi neste momento que sua ajuda se fez muito importante.

Chegado o dia, o funcionário de um dos comerciantes e o líder da gangue lutaram por horas. Finalmente o funcionário resolveu propor que fosse declarado um empate e a luta terminou, acabando em amizade entre os dois envolvidos. O nome deste funcionário: Abraham Lincoln.

Alan e Barbara Pease relatam que a testosterona, um hormônio responsável para dar ao homem um arroubo para defender a família e força para se levantar para o trabalho, também é muito responsável por fazê-lo agir de maneira violenta em algumas situações. Evidentemente que não é uma justificativa para ações agressivas, pois este ímpeto patrocinado pela testosterona pode ser canalizado em outras atividades, mas explica uma realidade que não pode ser negada.

É claro que existem mulheres agressiva também, mas em uma proporção muito pequena em relação aos homens que chegam a ter de 10 a 20 vezes mais testosterona que elas.

Outra questão que tem uma diferença significativa entre homens e mulheres e que tem uma relação bem íntima com a testosterona é a sexual.

Leonard Sax deixou escrito que a base neuroquímica para o amor e o sexo nas mulheres envolve o hormônio oxitocina, o mesmo hormônio liberado no organismo da mulher quando ela está amamentando. Porém, nos homens, o hormônio liberado durante a atividade sexual é a testosterona, o mesmo que determina a agressividade neles. Por isso que durante o ato sexual os homens tem mais ações que demostram domínio e força e as mulheres atitudes de envolvimento e empatia.

Devemos nos lembrar sempre que o centro do sexo fica no hipotálamo, que é a parte do cérebro que também controla as emoções, as batidas do coração e a pressão sanguínea. É maior nos homens que nas mulheres e, como já lemos que os homens têm de 10 a 20 vezes mais testosterona que as mulheres, não é difícil constatar o porquê deles sentirem mais desejo sexual que suas parceiras.

Um estudo realizado pelo Kinsey Institute demonstrou que 37% dos homens pensam em sexo a cada 30 minutos. Somente 11% das mulheres apresentam a mesma frequência. O nível alto de testosterona nos homens é responsável por estes estarem sempre interessados e prontos para o sexo.

Gostaram das informações? No artigo da próxima semana continuarei falando sobre as diferenças sexuais entre os gêneros. Um grande abraço.

 

Referências:

PEASE, Alan e Barbara. Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? Trad. Neuza Simões Capelo. Rio de Janeiro: Sextante, 2010.

SAX, Leonard. Por que gênero importa? Trad. Paulo Polzonoff. São Paulo: LVM Editora, 2019.


2 Comentários

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  1. Por isso que as vezes tem conflitos é preciso muito diálogo.

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  2. Kênia Bitarães Maciel1 de agosto de 2021 18:22

    Interessantes as informações desse artigo!

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