SAÚDE MENTAL


Conversas psicanalíticas com o Dr. Eduardo Baunilha


Foto de arquivo pessoal


Mecanismos de defesa

No setting analítico, Freud pode perceber que sua técnica muito bem pensada da Associação livre, capaz de fazer com que o analisando transfigure desejos, traumas e vivências contidas no inconsciente, muitas vezes, era impedida por repressões que o acadêmico chamou de mecanismos de defesa.

Esses mecanismos são ferramentas desenvolvidas pela própria psique e funcionam como um meio de preservação do indivíduo. Atuam retirando alguns conteúdos, principalmente aqueles difíceis de lidar, como traumas, decepções, frustrações, falhas, constrangimentos e abandonos existentes na parte consciente da mente.

De acordo com Ricardo Piccinato, “apesar de funcionarem de maneira inconsciente, esses processos são gerados no ego, evitando excessos pulsionais do id e prevenindo os que provêm da realidade”.

Existem muitos modos de atuação desses mecanismos. Neste artigo vamos conversar a respeito de alguns deles. O primeiro que destaco é o RECALQUE.

Diferente da conotação que recebeu nos nossos dias, o recalque é um mecanismo que habita no inconsciente para frear as pulsões que, uma vez liberadas, prejudicariam a estabilidade psicológica do indivíduo, ou seja, a situação quando muito dolorosa ou por se apresentar assim, se esconde no inconsciente para não ser revivida. Sendo assim, o sujeito não sofre.

Todavia, estas situações dolorosas aparecem na análise e, quando rememoradas e, consequentemente revividas, a elaboração acontece e, a pessoa, apesar de sentir um pouco de desconforto por causa da dor oriunda do reviver, acaba por sentir um tanto mais equilibrada e tranquila.

 Outro mecanismo de defesa que tem origem por conta de sentimentos éticos ou morais conflitantes que coloca a mente de uma pessoa em situação de angústia é a REPRESSÃO.

A repressão existe quando temos um sentimento não muito agradável em relação a um evento ou a um indivíduo. A psique reprime este sentimento não o deixando alcançar a consciência.

Para exemplificar podemos citar um caso de Freud em que uma irmã comemorou secreta e inconsciente a morte da irmã porque desejava o cunhado.

Existe um mecanismo de defesa chamado SUBLIMAÇÃO. Um mecanismo que atrai para si uma força sexual e a desloca para um alvo não sexual. Todavia não tem uma relação aparente com a sexualidade. Por exemplo: um homem que, por questões de saúde, não pode ter filhos, sublima este desejo fazendo coleções ou tendo bichos de estimação.

A boa notícia é que os mecanismos de defesa oriundos da psique nem sempre precisam ser vistos como situações negativas. Para algumas pessoas são até necessários para a minimização de uma dor muito dilacerante. A questão é, junto com o analista, entender a verdade que os envolvem, para assim, compreender o motivo de sua existência, para então perceber se precisam ser trabalhados ou não durante a análise.

Na próxima semana falaremos a respeito de mais três mecanismos de defesa.


2 Comentários

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  1. Vanda Luiza de Souza Netto16 de junho de 2021 01:47

    Amigo: tenho tido pouco tempo para ler suad postagens, desculpe. Lembro de aulas da prof. Olga no mestrado. Maravilha. Devo ter meus recalques como todos nos e mecanismos de defesa ja que coleciono.

    Livros! Estou quase soterrada.kkk se puder assista a serie sobre Freud na Netflix, uma maravilha. Um 9abraco e parabens.

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  2. Que leitura enriquecedora!Grande abraço!

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