SAÚDE MENTAL


Conversas psicanalíticas com o Dr. Eduardo Baunilha


Foto de arquivo pessoal


Somos seres comunicantes

Quem não gosta de uma boa conversa, daquelas que não vemos o tempo passar? De experiências assim, saímos felizes e aliviados por conseguirmos criar e manter uma conexão com o outro que é tão importante para nossa existência.

Por isso a Psicanálise acredita em uma técnica cunhada por Freud chamada de Associação livre de ideias. E você sabia que essa técnica surgiu de uma experiência dialógica de Freud com uma de suas analisandas? Veja o que aconteceu:

Inicialmente Freud tratava de pacientes histéricas com a hipnose. Como bom pesquisador e excelente neurologista, ele percebeu que dominar a mente do paciente não era saudável, por não dar a ele a oportunidade de se autogerenciar, perdendo assim a capacidade de aprender e exercer a autorregulação e o autocontrole.

Uma das pessoas que tinham Freud como médico era Berta Pappenheim, mais conhecida pelo pseudônimo Anna O. Em uma das sessões, Berta pediu a Freud que a deixasse falar mais. O médico a ouviu e percebeu que quando ela se reportava a situações passadas que lhe causavam sofrimento, seus sintomas eram amenizados.

Tendo como parâmetro esse contexto dialógico e interessante, Freud buscou se aprofundar mais no mecanismo de revelações inconscientes, que lhe foram bem patentes e muito efetivas para seus pacientes, tendo como aporte a técnica da associação livre.

Ou seja, conversar faz um bem danado, como diria um bom mineiro. Todavia precisamos atentar para o fato que uma conversa mais íntima, com requintes mais profundos dos nossos sentimentos não podem acontecer com todas as pessoas. Mesmo com as que confiamos. Um profissional que estudou para ser imparcial, para não ter um olhar julgador e para problematizar nosso discurso é o melhor caminho para termos boas elaborações. E é por meio dessas elaborações que encontraremos um trajeto mais seguro e confiável para prosseguirmos, tendo uma existência mais equilibrada.

Isso não significa que não teremos problemas, frustrações, desafetos e preocupações, mas conseguiremos enfrentá-los com mais força, buscando saídas mais efetivas, não nos deixando afundar na desilusão, perdendo o rumo.

Vamos viver tudo o que há de bom para viver. Merecemos um estar no mundo com mais satisfação e alegria. Então, se a vida não o satisfaz, se você se encontra deprimido e sem vigor para avançar. Se você não vê sentido no existir. Não hesite em procurar ajuda. Apoio profissional, auxílio de amigos, consolo da família são muito importantes em momentos difíceis.

Lembra do primeiro grito que você deu no mundo? Sua primeira comunicação? Foi imediatamente silenciado com o acalento dos braços e da voz de sua mãe. Foi um momento tenso, mas teve fim, pois encontrou segurança. Todos precisamos dos outros. Essa é uma verdade contundente. Por isso nunca devemos deixar de acreditar na força do diálogo. É esta força que, somada a outras, nos permitirá que sigamos avançando sempre.


2 Comentários

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  1. Parabéns pelo texto. Você é um grande profissional. SOMOS todos seres comunicativos mesmo, fato.

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